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Setembro Amarelo 2023: rotinas de saúde mental para este mês

O Setembro Amarelo de 2023 é mais do que uma campanha de conscientização. É um apelo urgente para abordar uma das questões de saúde mais negligenciadas do nosso tempo: a saúde mental. Este artigo pretende servir como um pequeno guia para médicos e estudantes de medicina, fornecendo informações e estratégias práticas para enfrentar desafios relacionados à saúde mental. Vamos pincelar alguns dados relevantes sobre o suicídio, te lembrar sobre os principais mitos relacionados a essa temática sensível. Tenha uma excelente leitura e esperamos que você goste do conteúdo! A Extensão do Problema: Dados da OMS O Brasil figura na lista dos 10 países com maior número de suicídios. Cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida no Brasil todos os anos, uma a cada hora. Esses números colocam a saúde mental como uma prioridade inegável para a medicina moderna. Outro dado alarmante é que 17% da população brasileira já pensou em cometer suicídio em algum momento da vida. Essa estatística aponta para a necessidade de intervenção precoce e apoio psicológico contínuo para prevenir esses casos. E o mais impressionante de tudo: 96,8% dos casos de suicídio estão associados a transtornos mentais não tratados e, muitas vezes, ainda sem diagnóstico – ou mesmo uma consulta prévia a um profissional de saúde mental. Essa informação destaca a importância crucial de identificar e tratar doenças mentais como uma etapa vital para prevenir o suicídio. Dentre os principais transtornos relacionados à etiologia do autoextermínio estão o transtorno de humor (depressão maior ou bipolaridade), o abuso de substâncias, a esquizofrenia, o transtorno grave de personalidade e outros. Nesse sentido, para saber as principais condutas médicas a serem tomadas nos casos de depressão e muitos outros transtornos mentais, acesse o App Blackbook. Como Cuidar da Saúde Mental no Setembro Amarelo de 2023 na Correria do Dia a Dia O primeiro passo para melhorar a saúde mental neste Setembro Amarelo é reconhecer que mesmo as pessoas mais ocupadas têm espaço para pequenas mudanças. Pequenas mudanças, como fazer atividade física regularmente ou períodos curtos de meditação ou exercício de respiração, podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo. A socialização com amigos e relacionamentos familiares também são muito importantes. O segundo passo é a organização. Utilize a agenda do seu telefone ou uma agenda impressa para organizar suas tarefas, estabelecer prioridades e reservar esses momentos de “autocuidado” com a saúde mental como se fossem compromissos médicos. Isso cria um compromisso que você é menos propenso a ignorar. Por último, mantenha um diário de gratidão. Isso pode parecer trivial, mas o ato de refletir e escrever sobre as coisas pelas quais você é grato pode melhorar significativamente seu bem-estar mental. Combatendo a Depressão e a Ansiedade com Mindfulness Neste Setembro Amarelo A técnica de mindfulness envolve estar plenamente presente e envolvido no aqui e agora. Pode ser facilmente aprendida e treinada e é muito eficaz para combater sintomas de depressão. Assim sendo, práticas matinais de 10 minutos de meditação focada podem definir o tom para um dia mais consciente. Durante a jornada de trabalho, pausas conscientes podem servir como uma espécie de “reset” mental. A técnica envolve se afastar do ambiente estressante e focar em sua respiração, mesmo que por apenas alguns minutos. Além disso, a prática regular de mindfulness tem demonstrado efeitos a longo prazo, incluindo a redução da propensão a episódios depressivos, de ansiedade, de agitação e estresse. Esse é um benefício que qualquer profissional médico, frequentemente exposto a situações de alto estresse, também precisa aproveitar pessoalmente além de recomendar aos seus pacientes. O Exercício Físico como Pilar de Sustentação O exercício físico é uma estratégia comprovada para melhorar a saúde mental. Ele libera endorfinas, que atuam como antidepressivos naturais. Além disso, a atividade física pode servir como uma válvula de escape para o estresse e a tensão acumulados durante o dia. Se a falta de tempo é uma preocupação, exercícios de alta intensidade e curta duração (HIIT) podem ser uma solução eficaz. Essas atividades queimam calorias e melhoram o humor em um curto período. Nesse sentido, não subestime o poder dos exercícios aeróbicos mais leves, como caminhar ou andar de bicicleta. Essas atividades podem ser incorporadas em sua rotina diária e ainda oferecem os benefícios de melhorar o humor e reduzir o estresse. Nutrição: Mais do que Comer, Nutrir a Mente Sua dieta desempenha um papel significativo em como você se sente. Alimentos ricos em antioxidantes, bons ácidos graxos e vitaminas do complexo B podem melhorar significativamente a saúde mental. O desafio é incorporar esses nutrientes em sua dieta diária. Planeje suas refeições e lanches para incluir frutas, legumes, verduras, nozes e grãos integrais. Evite o impulso de se voltar para alimentos processados (industrializados) quando estiver estressado. Além disso, não negligencie a hidratação, procurando tomar um copo de água várias vezes ao dia, antes mesmo de ficar com sede. A desidratação pode levar a sintomas como irritabilidade e fadiga, que podem prejudicar um estado mental já frágil. Quais são os Principais Mitos sobre o Suicídio que todo Médico Deve Saber Um dos mitos mais perigosos é que falar sobre suicídio pode implantar a ideia na cabeça de alguém. Estudos mostram que discutir abertamente sobre o tema permite uma intervenção mais eficaz. Outro mito comum é que quem fala sobre suicídio não o comete. Na verdade, muitas pessoas que cometem suicídio expressaram alguma forma de aviso verbal ou comportamental. Ignorar esses sinais pode ser fatal. Um terceiro mito é que o suicídio é sempre impulsivo. Embora isso possa ser verdade em alguns casos, muitos são cuidadosamente planejados. Reconhecer os sinais dessa ideação ou planejamento suicida para fornecer suporte e intervenção precoce é crucial. Sinais de alerta A maioria das pessoas que cometeram suicídio manifestaram de alguma forma em comportamentos e verbalizações sinais como: Setembro Amarelo 2023: é Hora de Agir Portanto, o Setembro Amarelo 2023 começou. De fato, esta é uma oportunidade para profissionais de saúde se educarem e tomarem medidas proativas para enfrentar a crise de saúde mental no Brasil. Por fim, você conferiu

Abordagem da obesidade infantil: um tema essencial na medicina moderna

Abordagem humanizada da obesidade infantil

A obesidade é um dos assuntos mais importantes da medicina moderna, não só da pediatria. Independentemente da área médica em que você atua, não será mais uma opção não atender pacientes com excesso de peso. Estamos vivendo uma epidemia.  O número de crianças com obesidade só cresce. Em 2016, tínhamos uma prevalência de obesidade de 17,6% em meninos entre 5 e 9 anos de idade. A projeção é que em 2030 essa prevalência nesta faixa etária suba para 22,8%. Serão mais de 7 milhões de crianças com obesidade no Brasil entre 5 e 19 anos em 2030 (dados da World Obesity de 2019). Em adultos não é diferente. Pelos números crescentes, estima-se que mais de 40% da população adulta terá obesidade em 2035. Sem contar com os adultos com sobrepeso, quadro menos grave que a obesidade.  É importante termos conhecimento desses números até para conseguirmos avaliar o impacto de qualquer intervenção. Sem intervenções substanciais para prevenir e tratar a obesidade infantil, o número de crianças em idade escolar e adolescentes que vivem com obesidade deverá aumentar cada vez mais, com todas as suas consequências.  Qual a explicação para esse aumento acentuado?  Os índices de obesidade vêm aumentando desde o final da década de 70, início dos anos 80, no mundo todo.  O que aconteceu desde então? Uma tendência a ficarmos cada vez mais sedentários e uma piora do nosso padrão alimentar, com um maior consumo de alimentos ultraprocessados.  Houve uma modificação no ambiente, enquanto nossa biologia permanece a mesma.  Há milhares de anos, tínhamos escassez de comida, tínhamos que caçar para comer, andávamos muito e comíamos pouco. Quem conseguia poupar mais energia, sobrevivia. E agora temos praticamente a mesma genética (poupadora de energia) em um ambiente totalmente diferente, com abundância de alimentos. Diante deste cenário, o que podemos fazer? A primeira coisa é não subestimar a gravidade e a complexidade do problema. A obesidade é uma doença crônica, multissistêmica e recidivante. Tem fisiopatologia própria e deve ser prevenida e tratada.  E abro um parêntese: considerar a obesidade uma doença não é gordofobia. Gordofobia é extremamente frequente e devemos combatê-la. Mas podemos fazer isso sem negar que seja um problema de saúde e que pode e merece ser tratado. Não devemos romantizar a obesidade.  Já foi comprovado, por meio de estudos de autópsia de crianças e adolescentes falecidos por morte de causa externa, que a doença aterosclerótica tem início na infância. Também, que a obesidade, a dislipidemia e a hipertensão são fatores de risco para esse início precoce, acelerando sua progressão. Além disso, é grande a chance de uma criança acima do peso que não recebe tratamento vir a ser um adulto também com excesso de peso. A obesidade diminui a expectativa de vida do indivíduo.  O ideal seria prevenir o excesso de peso?  Sim, com certeza. Prevenção seria o ideal. Como o tratamento da obesidade não é fácil, o nosso foco deveria ser na prevenção. Infelizmente, as estatísticas mostram que nós não estamos conseguindo prevenir esta condição. Como seria essa prevenção?  Podemos atuar desde o pré-natal, para que a mãe tenha um ganho de peso adequado durante a gestação. Já se sabe que o ganho de peso excessivo durante esta fase predispõe à obesidade do filho.  Devemos apoiar o aleitamento materno. O aleitamento materno exclusivo, pelos menos até os 4 meses de vida do bebê, já reduz em 22% o risco de obesidade nessa criança.  Podemos promover hábitos de vida saudáveis para todos da família nas consultas de puericultura. E fazer o acompanhamento regular do crescimento durante toda a infância e adolescência, utilizando a curva de IMC (índice de massa corporal) desde o nascimento. Devemos intervir precocemente quando a curva de peso e IMC estiverem ascendentes.  Diagnóstico e intervenção precoces são muito importantes.  Qual um erro frequente no manejo desses pacientes?  Além de subestimar a gravidade da doença, é um erro frequente subestimar a sua complexidade. Precisamos parar com essa visão simplista e preconceituosa de que alguém fica acima do peso simplesmente porque consome mais calorias do que gasta.  A obesidade é uma doença de natureza complexa e multifatorial decorrente da associação entre fatores ambientais, hormonais, genéticos e epigenéticos.  Mas a sociedade tende a achar que uma pessoa com obesidade está assim por escolha própria, por preguiça, desleixo, por fraqueza de caráter, por falha moral e por aí vai… Muito frequentemente os próprios profissionais de saúde têm essa visão e não gostam de atender esses pacientes.  As crianças e adolescentes com obesidade já convivem com o estigma da doença, que só vem aumentando, por sinal.  O sofrimento emocional decorrente da obesidade é o principal motivo pelo qual procuram ajuda.  A abordagem desses pacientes e de suas famílias deve ser cuidadosa. Uma palavra ou termo utilizado de maneira inadequada durante a consulta médica pode ser percebido pelo paciente como julgamento, crítica – mesmo tendo sido feito na melhor das intenções.  A linguagem importa e não precisamos mudar a língua portuguesa para tratar o paciente com respeito e empatia.  Por exemplo: devemos evitar chamar o paciente de obeso. O paciente não é obeso; ele está com obesidade. Assim como não falamos paciente canceroso, falamos paciente com câncer. Também podemos evitar o termo excesso de gordura. Uma palavra melhor seria excesso de peso, ou peso acima do considerado saudável. A genética tem muita influência?  A genética desempenha um papel importante no fenótipo nutricional. Mesmo em um mesmo ambiente, pessoas têm índices de massa corporal diferentes de acordo com a predisposição genética para a obesidade. Ela pode influenciar de 40 a 80% do fenótipo. Quanto mais grave a obesidade, maior é a influência da genética.  Estudos da década de 90, que acompanharam o crescimento e desenvolvimento de gêmeos monozigóticos e dizigóticos que foram separados na infância, mostraram 70% de concordância no índice de massa corporal entre os irmãos, mesmo vivendo em ambientes completamente diferentes, com famílias diferentes.  Mas a pessoa com excesso de peso come mais e pior? Muitas vezes sim. Diversos genes relacionados à obesidade são expressos no cérebro e influenciam o

O que não me contaram sobre o internato

Coluna: o que não me contaram sobre o internato.

Olá! Meu nome é Thais Albuquerque, eu sou médica e psicóloga e hoje vim falar sobre as coisas que não me contaram sobre o internato. Antes de irmos para a leitura de hoje, gostaria de agradecer pela oportunidade e pela repercussão que tive no meu primeiro texto escrito aqui no blog Blackbook. Ah, e se você ainda não teve oportunidade de ler, recomendo você clicar no banner abaixo pra já ler assim que terminar este conteúdo aqui! Agora sim, vamos lá! O tão aguardado internato da faculdade de medicina Hoje em dia as faculdades de medicina se organizam com dois modelos de ensino muito diferentes entre eles. O primeiro modelo é o tradicional, que inclui a metodologia que a gente já conhece de ensino passivo, sala de aula, professor ensinando e avaliações periódicas da aprendizagem. A segunda metodologia de ensino é o PBL (Problem Based Learning, traduzindo significa aprendizado baseado em problemas), que tem se tornado mais frequente nas faculdades do país. Nele, não existe separação entre as matérias: a aprendizagem acontece através de discussão de casos clínicos nas tutorias, compostas por um grupo de alunos e um professor tutor. Em cada caso clínico, são discutidos temas importantes que darão a base do ensino médico, aproximando a prática clínica do conteúdo básico necessário. Dependendo do modelo em que sua faculdade está inserida, a prática médica do dia a dia pode estar mais presente ou mais distante.  Nas faculdades cujo modelo de ensino é o tradicional, os 2 primeiros anos correspondem ao ensino básico, onde temos aula de biologia celular, biologia molecular, genética, etc (ficamos bem longe dos pacientes). Os 2 anos seguintes correspondem ao ciclo clínico, onde temos um pouco mais de contato com as doenças e podemos ter algum (pouco) contato com os pacientes. Finalmente chegamos nos 2 últimos anos, os mais esperados de todos, conhecido como internato. É aí que passamos mais tempo no hospital, atendemos pacientes, discutimos casos, etc.  Cada fase é marcada por muito aprendizado e desenvolvimento. Mas não dá para negar que para quem cursa uma faculdade do método tradicional (como é o meu caso), os 2 primeiros anos são os mais maçantes e distantes da prática médica. Claro que entrar pela primeira vez no laboratório de anatomia e ter nosso primeiro contato com as peças anatômicas é maravilhoso. É de encher os olhos de lágrima de emoção. Mas para quem sonha em atender pessoas, curar doenças, passar 2 anos inteiros entre laboratórios de anatomia e microscópios, não é a coisa mais legal do mundo. A prática médica só costuma vir no início do quinto ano nas faculdades tradicionais, quando entramos no último ciclo da faculdade. Ele mesmo: o tão aguardado e, porque não dizer temido, internato. A mudança é muito drástica. Enquanto nos quatro primeiros anos a gente está habituado a passar a maior parte do tempo em sala de aula, matérias com professor, lousa e slides, tudo muda no quinto ano em diante.  Meus principais aprendizados Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Thaís Albuquerque (@tha.is.albuquerque) A importância da escuta clínica É no começo do internato que a gente tem contato com pacientes da vida real. Foi quando eu me dei conta de que a escuta clínica, desenvolvida na faculdade de psicologia, poderia ser minha principal aliada. Seres humanos reais Quando a gente se depara com uma história real, com uma pessoa que está passando por um momento delicado, na grande maioria das vezes marcado por fragilidade e sofrimento, é que a gente se dá conta do peso da responsabilidade da nossa profissão.  A importância de dar um passo de cada vez Não adianta querer antecipar as coisas. Se tornar médica é um processo e, por isso, se faz necessário passar por todos os passos da aprendizagem. Para fazer um bom internato, é preciso ter feito um bom ciclo clínico. Para fazer o ciclo clínico bem feito, é preciso ter o ciclo básico bem fundamentado. Vale muito mais a pena curtir todos os passos e todos os momentos do que querer correr uma maratona sem treino adequado pra conquistar o poder do carimbo médico. Mais do que um carimbo, o CRM é nosso compromisso com nossa escolha e com as pessoas que confiam no nosso conhecimento.  O internato me ajudou a confirmar minha escolha profissional Foi durante o internato que eu tive a certeza de estar na profissão certa, eu não me via mais fazendo outra coisa, se não a medicina. Foi o período que me ajudou também a determinar as escolhas que eu faria depois de formada. Por exemplo, eu não me via trabalhando em plantões noturnos ou aos finais de semana. Rotinas extenuantes estavam fora da minha escolha profissional, na medida do possível. Busquei uma especialidade médica, que hoje é a Medicina de Família e Comunidade. Ela me permite trabalhar em horário comercial, de segunda à sexta. Também me proporciona o privilégio de estar próxima da minha família, amigos e pessoas que amo. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Thaís Albuquerque (@tha.is.albuquerque) E você? Sabia das diferenças no ensino médico do Brasil? Me conta qual deles você prefere e o porquê, eu vou adorar saber. Não deixem de me seguir nas redes sociais e confira meus textos para o blog Blackbook! Um beijo e até a próxima.